Cartas para Fernando.

Caro Fernando, por quem me tomas? – Oh abençoado seja o céu! Eu sempre quis dizer isso.
Por que age como se teu fosse meu corpo? Por que lhe proporciona prazer dizer “minha” e pouco diz “seu”? Só pensastes em ti? Não é exatamente o que eu esperava, ou o que eu queria, muito pouco o que eu aprecio. O que me ofereces além de joias? Fernando, joias enfeitam minha imagem, mas não decoram meu coração, e não proporcionam felicidade. Se teu coração está coberto de escuridão, te nego! Te nego, pois não quero ser sucumbida pela frivolidade que parece lhe ter tomado seu sorriso e sua alma. Teu sorriso apresentava certo decoro, qual sempre contradisse seus olhos, tais eram viajantes diante de meu corpo, sempre expressaram com liberdade categórica, o que tua boca não dizia... Fernando, eu sou sim tua! Meu corpo é sim teu! Meu coração é teu! Meu amor é teu! Mas não te pertenço, não sou um pedaço de terra passado em teu nome, não sou uma divida de jogo, ganhada com blefe e orgulho, não sou um pagamento. Não serei o tipo de mulher que fica um passo atrás do seu homem, ao seu lado como igual, ou esqueças que um dia soube meu nome. Papai me deixou tanto dinheiro, quanto herdei a beleza de mamãe, posso ter o homem que eu quiser, bem como você pode ter a mulher que bem entender, eu escolhi você, agora preciso que me escolha, me respeite e me tenha como seu amor, e não como um brinquedo para apresentar a sociedade.
Com amor, a mulher pela qual você se apaixonou instantaneamente, mas não consegue lidar com o gênio.


Amélia Basso.



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