Uma carta para Amélia.



"Doce Amélia,

Quase já escuto sua voz murmurando "ora, não é bem assim", mas já lhe adianto que é. Lembra a ti mesma que por vezes me disse que os olhos gritam, demorei a entender, confesso, assim como a enxergar, porém hoje vejo... e os olhos dele gritaram, por isto e pelas lágrimas que lutavam em sair, desviei o olhar. Era ela... mais uma vez. 
Não diga nada, nenhuma palavra surtira efeito, alerto-a.
Tu jamais irá entender, vez que jamais foi a segunda, terceira, quarta... Não pode encontrar palavra pra confortar uma dor que não conhece e não quero que tente, apenas escrevo pra que saiba, saiba porquê eu precisa dizer a alguém no mundo, e eu escolhi dizer a você, porquê eu estava lá e ouvi, mas eu não disse nem a mim mesma - até agora.
Tenho conhecimento dos meus traços ordinários, dos olhos não tão cheios de vida, dos fios ressecados... bem, numerar seria por a vida em pausa por todo o tempo que tenho e citar meus inúmeros defeitos, não obstante sei que há venustidade em mim, não é uma imagem para se pintar e por na sala, mas não é algo que faça doer os olhos.
Saiba que dói em mim parecer tão trivial, tão supérflua, dói em mim, me magoar por tão pouco, e ao mesmo passo que admite ser tão pouco, enxergo tão grande.

Cuida-te Amélia.
Sua eterna amiga."





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