Achados&Perdidos I
Coincidências milimetricamente calculadas e acasos.
Capítulo I
Parte I
“O que aconteceu conosco? Porque sofremos tanto? Nós nos apaixonamos. Em
algum ponto, quem nós amamos esqueceu de nos amar de volta.”
- One Tree Hill.
Fred tinha seis anos quando seu pai lhe ensinou que às vezes,
esperar que o acaso aconteça, é querer demais, e foi seguindo essa lógica, que
decidiu; naquela noite, Lily lhe conheceria. E aquela noite, Lily conheceu um
Fred distinto do que estava diante dos seus olhos agora – e por 1 ano e 9
meses, ela namorou um Fred amável, qual agora, nem de longe, parecia sentir
afeição, incapaz de transmitir ternura, segurança, calma ou qualquer coisa... E
embora pareça controverso, Fred amava Lily como ninguém jamais amou, mas ele
precisa ser para Lily o que ela foi para ele durante 1 ano e 9 meses, e quem
sabe, talvez, isso fizesse Lily perceber que quando você se torna o iceberg do
titanic, o titanic eventualmente vai querer distancia de você.
-
Quando você seguiu em frente, Fred? – ela indagou.
-
Em frente? – Fred debochou e se sentou – Eu jamais poderia seguir em frente, eu
dei a volta Lily, percorri de volta todo caminho que tracei com você, e Deus,
Lily, você destroçou meu coração. Não havia sequer cacos para catar... era
poeira em uma noite escura.
-
Se você realmente houvesse voltado e olhado pra trás, nós... – ele a silenciou,
pretendia dizer que era típico dela, por a culpa em qualquer um, menos em si, e
nesse momento, Fred nem sequer estava a culpando, ele jamais a culparia por ser
como era.
-
Eu olhei em todos os cantos e me perguntei “Deus, onde foi que ela me deixou?”,
“Em que parte do caminho ela deixou de me amar?”... e de forma alguma eu tive
uma resposta, o que, tudo bem, já me conformei com isso. Mas eu segui a sua
teoria...
-
Eu preciso te interromper agora! – respirou fundo e olhando para a janela Lily
se perdeu nos pensamentos e ficou em silêncio por alguns minutos, já não sabia
mais o que pretendia dizer, ou o que pensar. – Eu não deixei te amar. E, qual
teoria?
-
Quando nos conhecemos, você disse que nosso coração era como um prato, um prato
de vidro, e que quando se quebrava, as pessoas poderiam sair e comprar
um novo, “por que colar algo e usar cheio de rachaduras, se esse algo pode ser
substituído?” você perguntou sorrindo, e disse o óbvio, não podemos comprar um coração novo, mas pode ser colado, nesse processo, recolhendo os cacos, novas
feridas são feitas e antigas sangram junto... Você disse que seu prato estava
quebrado, e que não seria justo comigo, me fazer colar você... Você realmente fez
o que disse? Você se curou antes de vir até mim? Porque hoje parece que você fez
exatamente o que disse que não faria.
Lily
se manteve em silêncio, controlando até mesmo a sua respiração, e naquele
momento, nem ela mesma podia afirmar se havia ou não feito o que disse que não
faria.
-
Minhas mãos sangraram colando seu coração Lily – Fred disse -, e eventualmente
o inexorável aconteceu, o meu coração foi quebrado, e quando tentei colar, as
antigas feridas abriram e novas sangraram junto. Eu comprei um prato novo Lily,
porquê claro, um coração novo eu jamais poderia ou poderei comprar, mas ao
menos meu prato está inteiro.
-
Mas...
-
Não cabe a mim, comprar seu prato novo, ou catar os cacos do antigo. Eu estou desistindo
de nós, pra ter a mim. Nem toda história de amor, termina em
amor, Lily – pausou – e honestamente, você já não está aqui por amor, há muito
tempo.
- Então por que fiquei todo esse tempo?
- Vergonha. Vergonha de algo em sua vida milimetricamente calculada deu errado.
- Como se ninguém soubesse! – Lily bufou.
- Dizer em voz alta, torna tudo real. Dizer aqui dentro e tornar real aqui, nos obriga a sair e encarar a realidade lá fora.
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