Das coisas quais o mundo não precisa saber, mas eu preciso dizer.
Eu não sei como é sua vida
sem mim, mas, ainda mais importante é que eu ainda não sei como é minha vida
sem você, não houve uma separação tão longa desde o dia que nos conhecemos e
nunca houve uma distância tão grande – mesmo estando o tempo todo há 370km.
Eu nunca entendi porque você era sempre tão
irônico, e mesmo sendo tão íntimos em certo modo você nunca se abriu de verdade
até começarmos a desmoronar. E quando começamos a desmoronar?
Quando eu senti que não daria certo? Eu nunca
senti isso. MAS eu sabia que em determinado momento algo bateria de frente
comigo e talvez fosse demais pra mim. E foi, mas eu fiquei. EU FIQUEI COM VOCÊ EM UMA SITUAÇÃO QUE VOCÊ
NÃO FICARIA COMIGO. Eu não fiquei pra mostrar ou provar nada, eu nem ao
menos posso dizer que não gostaria de ter ficado, porque eu vive com você, eu
tenho uma bagagem enorme de noites só nossas, de risadas só nossas, da nossa
vida.
Quando eu disse ‘nós terminamos há muito, só
fingimos que não estávamos vendo isso’? Não era verdade. Mas eu quis dizer
todos os ‘eu amo você’, até mesmo o
primeiro que foi totalmente não planejado e inesperado até mesmo pra mim, muito
mais do que foi pra você. Todos o “vai ver não era pra ser”, não era verdade.
Não a minha verdade.
Quando eu briguei mais uma vez pelo mesmo motivo
e continuei fazendo isso durante todo o ano, não era porque eu precisava de uma
briga pra ter algum tipo de emoção, – a minha emoção era você, a minha sensação
de estar numa montanha russa com elefantes na barriga era você - era só porque
dentro de mim havia emoções demais. Você não sabe que só se dá o que se tem? Eu
não podia te dar paz, ser a sua, ou
mantê-la se eu não tinha. Eu vive uma
guerra dentro de mim, e enquanto você levantava e saía ileso de todas as
batalhas, ou jurava ir embora mais uma vez, eu ia morrendo um pouco mais.
Quando eu disse “estou indo embora, me
escolhendo, antes que você escolha sua amiga”, eu disse porque alguém
precisava me escolher, e na contagem de 2 – 1 = 1 – sobrou eu, se nem mesmo eu
me escolhesse, como seria? Mesmo você tendo ficado e alegando ter me escolhido,
você escolheu sua amizade toda vez que conversava lá, algo que tá aqui hoje
ainda e me magoa.
What is with
u? I’ve never seen this side of u.
Quando eu pedi inúmeras vezes que se colocasse
em meu lugar, que impetrasse respeito... oh, respeito... Quantas vezes eu
briguei por isso e fui catalogada como a; maluca, doente, ciumenta, neurótica, POSSESSIVA. EU, POSSESSIVA.
Quando você foi – você ainda está indo – eu vejo
você ir embora todos os dias. Porque todos os dias eu acordo achando que você
está pronto pra ficar, voltar, reatar. Não.
Uma
parte de mim queria que você precisasse de mim como eu preciso de você, que
você ficasse sem dormir, como eu fico, ou tomasse algo pra dormir, como eu
venho tomando. Que chorasse como eu choro e quem sabe que desatinasse como
desatino. Que entendesse minha dor, como eu a entendo.
Quando eu pedi a mim mesma para frear ou ao
menos desacelerar – não era porque eu não queria estar completamente, perfeitamente e incadescentemente apaixonada por
você – era porque eu achava que não deveria. Que hora ou outra algo, alguém ou
eu mesma faria você recuar, desistir, ir embora. E VOCÊ FOI. E à medida que eu
assisti você ir, eu fui sentindo cada palavra do Francis fazer sentido "O
momento mais solitário na vida de alguém é quando eles estão vendo seu mundo
desmoronar e tudo o que eles podem fazer é olhar sem expressão". Eu não
tive expressão, eu só disse pra você esperar o dia que eu lhe diria algo, e eu
me arrependi no exato momento em que eu anunciei que não lhe digeriria a
palavra, mas agora preciso mantê-la. E não por orgulho, só porque você não se
preocupou em dirigir a palavra a mim. Meus pensamentos desalinhados não
poderiam escrever algo bonito, mas é sincero.
Quando
eu planejei meu futuro de novo, porque eu tinha um plano antes de você, eu
volto pra o plano onde eu vou ficar muito tempo sozinha, terei todo tempo pra
ver série, nunca vou precisar mexer com qualquer tipo de carne ou ao menos
sentir o cheiro quando eu tiver uma cozinha pra chamar de minha, eu nunca mais
vou precisar lavar mais de um prato a cada refeição, nunca encontrar um cesto
cheio de cuecas pra lavar, nenhuma outra família para agradar, nenhuma avó
superprotetora pra lidar, ninguém ligando coisas que ativem minha demoníaca
rinite demoníaca alérgica, mas eu queria tudo isso, e eu queria tudo isso com
você. Eu costumava dizer que quando você fica com alguém é por você, pelo que
você sente pela pessoa, pelo seu amor, pelo fato de que você sabe que sem
aquela determinada pessoa você é só mais um infeliz, mas eu amo você por você,
porque eu amo tudo em você, eu amo você por mim, eu amo seu nariz por nós dois.
E é justamente por amar você que eu não posso te pedir pra ficar. Eu até acho
que deveria te pedir pra ir; pra ser feliz, pra viver, pra sorrir, e pra
conhecer alguém que se encaixe tão bem em você quanto você se encaixou em mim,
que te faça tão feliz e bem como você me fez e como eu achava que faria. Talvez
se eu tivesse 15 anos eu diria “você deveria ficar, você deveria lutar por mim
e não comigo”, mas em um jeito estranho e doido eu te quero bem longe de mim,
primeiro pra me curar, pra não abrir as feridas quando você estiver feliz com
outro alguém, segundo, pra você ter espaço de buscar essa felicidade com outro
alguém. Eu estou me achando incrivelmente madura por dizer isso, e incrivelmente
corajosa, não faz doer menos, mas, eu me dobrei diante da dor e morri a deriva
sem um abraço, Cel. Eu fiquei sozinha, eu fiquei sozinha porque eu fiz o que eu
disse pra uma amiga não fazer “não torne essa pessoa seu mundo”, então nenhuma
conversa bastava, nenhum olhar com carinho servia e nenhum abraço era o seu, e
eu não quero isso pra você, eu quero que você esteja rodeado de amigos, com
amigos que eu aprendi a amar por você e por Pam, mesmo sem trocar uma única
palavra, e com os amigos que eu aprendi a odiar por toda dor que indiretamente
me causaram, eu não quero morrer de dor de novo, morrer de dor cria raízes no
ódio e o ódio apodrece a alma.
Eu
quero uma alma colorida, cheia de amor, uma alma que sorri com a transcendência
do meu eu, uma alma tão calma, uma alma cheia de amor e amada, e eu quero isso
pra mim e pra você. Eu quero muito! Eu quero uma alma coberta de venustidade,
pra ter uma vida idílica. Eu quero que você alcance um estado superior de paz,
suprema.
Não
há empáfia que me impeça dizer isto, queria que nunca cogitasse ser feliz com
alguém que não seja eu, mas eu preciso usar a parcimônia... Assim como usei
duas palavras que quase ninguém conhece, pra dizer que; nesta merda, gostaria
de ser a única e que quando você dormisse com outra, a novela mexicana
invadisse a cena e fizesse você me ver no rosto dela!!!
Você
se lembra quando me agradeceu por ter te colocado de volta a vida? Eu te
agradeço ainda mais, por todos animais enormes que passearam em meu estômago no
último ano, por todos ápices, por todos risos, por todas lágrimas, por todos
filmes que eu nunca veria se não namorasse você, por ter me dado o valor qual
eu nunca tinha recebido antes, por ter me dado o maior amor, amor qual eu
também nunca tinha recebido antes, obrigada por ter me amado, Cel, obrigada por
ter me feito a mulher mais feliz do ano de 2015 e 2016 d.d.C. (depois de depois
de Cristo).
Eu
precisava por isso pra fora, porque estou fora. Estou fora de mim, fora de
você. Eu te dei todo espaço, te dei tudo, não me sobrou nada. Eu preciso me
reinventar e aprender a viver sem a pessoa qual eu aprendi a não saber viver
sem. Eu preciso não precisar de você. Eu preciso precisar de mim e me fazer
bem, me fazer levantar e ser uma das melhores Annalise’s Keating que o Brasil
respeita.
Comentários
Postar um comentário