Fossa das Marianas – F5


Uma nova melodia para embalar a nova velha tristeza, na nova música não existe a minha nota. Eu sou o passado. Eu sou o que não conta mais. Eu sou o que ficou pra trás. Eu tenho uma visão única da nossa situação - que agora é só minha – começa com seu rosto a um distancia tão curta, começa com o último beijo e ele vai se distanciando junto com seu rosto.... seu lindo rosto, eu sinto sua falta, sabia? E cê tá sentando no banco daquela rodoviária, que começa a se mover, meu ônibus estava saindo, tudo ficou tão embaçado. Eu sei o que você me disse¹. Desde quando você saiu do meu campo de visão, tudo fica embaçado constantemente. Desde quando você passou a me tratar como nada. Eu sei o que você me disse². E agora, parece que você se apaixonou, de novo. Mas no oceano do que fomos, te desejo uma maré feliz. Eu deixei de ser rio, fiquei sem rumo, me tornei água parada. Sou a areia inconveniente que entra onde não queremos. Eu me tornei um ambiente inóspito pra mim. No mar do que sou, nadei ocupada demais sendo sua, pra me apaixonar de novo. No mar que me faz, me desfiz pra me refazer. Às vezes temos de ir até o lugar mais perigoso do mar, morrer pra ser. Eu morri todos os dias esperando você, imaginei mil cenários, do que envelhecemos juntos ao que envelhecemos sem ao menos saber se o outro chegou a envelhecer. No mar que fui pra me refazer, fiz isso, minhas últimas palavras pra você, porque eu sei o que você disse³, e não há maré que me direcione a falar com alguém que alegou me responder por comiseração, pena, DÓ.

¹ Eu vou te esperar. Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu nunca vou encontrar alguém como você.
² Eu nunca vou voltar. Obrigado por tudo.
³ Eu respondia porque ela ficaria esperando uma resposta que nunca viria.

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